Há eventos que se medem pelos números. Quantos participantes, quantas reuniões, quantos negócios realizados. E há eventos que se medem pelos encontros.
O Circulart sempre pertenceu à segunda categoria.
Passados alguns dias desde o encerramento desta edição em Medellín, as lembranças que permanecem não são apenas dos auditórios cheios, dos showcases ou das agendas intensas. O que fica são os rostos, os abraços, as conversas de corredor, os reencontros e as novas amizades que ajudam a construir, ano após ano, uma verdadeira comunidade cultural latino-americana.
Talvez essa seja a maior realização de Octavio Arbeláez. Mais do que criar um mercado cultural de referência para a América Latina, ele ajudou a consolidar um espaço onde artistas, produtores, gestores, programadores, pesquisadores e empreendedores culturais podem se reconhecer como parte de um mesmo ecossistema.
Um espaço onde a cooperação vale mais do que a competição.
Para nós, da GRV Música, Media, Ideas e Projetos, voltar a Medellín é sempre uma oportunidade de reencontrar parceiros que já fazem parte da nossa história. Foi especialmente emocionante rever as amigas da ADIMI, que estiveram recentemente em Brasília durante a oitava edição do Prêmio Profissionais da Música: Maria Carrascal, Tania Navarrete e Carolina Gómez. Mulheres que trabalham diariamente para fortalecer a música independente ibero-americana e que compartilham conosco o sonho de uma integração cultural cada vez mais efetiva entre nossos países.
Também foi uma alegria encontrar tantos brasileiros que cruzaram fronteiras para participar do evento. Artistas, produtores, gestores, representantes de festivais, feiras e instituições que ajudam a mostrar a diversidade e a riqueza da produção cultural brasileira. Em cada conversa, uma troca. Em cada encontro, uma possibilidade. Em cada abraço, a confirmação de que estamos construindo algo maior do que projetos individuais.
Mas o Circulart também é feito pelas dezenas de profissionais que trabalham muitas vezes longe dos holofotes. A equipe de recepção que acolhe cada participante com um sorriso. Os profissionais da logística que fazem uma programação complexa funcionar com precisão. Os tradutores, produtores, técnicos, coordenadores, comunicadores e voluntários que transformam meses de planejamento em uma experiência humana memorável.
É impossível passar por Medellín sem perceber o cuidado presente em cada detalhe. E talvez seja justamente esse cuidado que faz com que tantos participantes retornem ano após ano.
Nesta edição, mais uma vez, tivemos a oportunidade de compartilhar ideias, apresentar projetos, fortalecer alianças e iniciar conversas que certamente continuarão nos próximos meses. Algumas delas já apontam para futuras colaborações entre países, instituições e profissionais que acreditam no poder transformador da cultura.
Voltamos para casa carregando contatos, propostas e perspectivas.Porque os grandes eventos culturais não são feitos apenas de programações bem estruturadas ou de agendas de negócios bem-sucedidas.
Eles são feitos de pessoas que acreditam que a cultura pode aproximar territórios. Pessoas que escolhem o diálogo em vez do isolamento. Pessoas que seguem construindo pontes em tempos que, muitas vezes, insistem em erguer muros.
A todos que fizeram parte desta edição do Circulart — organizadores, parceiros, equipes, artistas, delegações e amigos — fica nossa gratidão.
Seguimos em contato. Seguimos construindo pontes. Seguimos sem fronteiras.
Musicalmente
Gustavo Vasconcellos