A frase não é minha, mas traduz com precisão o que enxergo para o mês de outubro a partir de hoje [5|10].
Porque intensidade, por aqui, não vai faltar.
Brasília, 5 de outubro de 2026
Começamos pelo resultado das urnas.
No Distrito Federal, Gabriel Magno acaba de se reeleger deputado distrital com mais de 41 mil votos. Entre eles, certamente, estão votos de muitos profissionais que integram o ecossistema da música e que, daqui a 51 dias, estarão reunidos na Câmara Legislativa do Distrito Federal para um momento inédito.
No dia 25 de novembro, a CLDF receberá a primeira solenidade de celebração do Dia do Profissional da Música, reunindo diferentes elos de uma cadeia que cria, produz, grava, comunica, distribui, realiza, ensina, pesquisa, administra e movimenta a música.
Não será apenas uma cerimônia. Será a oportunidade de colocar, dentro do Parlamento, um ecossistema inteiro olhando para si mesmo e afirmando sua dimensão cultural, social e econômica.
E há um simbolismo especial nisso. Gabriel Magno foi justamente o parlamentar que propôs e viabilizou a lei que instituiu, no Distrito Federal, o Dia do Profissional da Música, celebrado em 1º de novembro.
Mas antes de chegarmos lá, outubro ainda reserva fortes emoções políticas.
Teremos um segundo turno acirrado, tanto no Distrito Federal quanto no Brasil. E, como alguém que participa ativamente do segmento cultural e trabalha há décadas com comunicação, há uma pergunta que me interessa especialmente depois do primeiro turno:
Quem ganhou a eleição da atenção?
O algoritmo? O influencer? A mídia social?
Ou já chegamos a um ponto em que essas três dimensões estão tão misturadas que é impossível compreender uma eleição sem observar a lógica das plataformas, a capacidade individual de mobilização e a circulação das narrativas?
É uma questão que vai muito além das urnas. Ela diz respeito também à cultura, à música e à forma como hoje descobrimos artistas, construímos reputações, formamos comunidades e disputamos espaço no imaginário coletivo.
Enquanto o Brasil se prepara para decidir seus rumos políticos, nós seguimos também em movimento.
E outubro será um mês particularmente intenso para a GRV.
Em cinco dias, no dia 10 de outubro, acontece “Estradar”, encontro de Joana Duah e Lula Galvão na Casa Thomas Jefferson, em Brasília. A GRV participa do projeto como booker, colaborando para colocar no palco um trabalho que nasce justamente do encontro entre artistas, repertórios e trajetórias.
Também estará em nosso radar a ópera “Sujeiras atrás da moita”, de Jorge Antunes. Um título que, diante do momento brasileiro, chega a soar quase profético — ou, no mínimo, muito adequado aos tempos.
Poucos dias depois, atravessamos o Atlântico.
Faltam nove dias para o início da SoAlive Music Conference, de 14 a 16 de outubro, primeira das duas expedições internacionais que integram nossa agenda neste mês.
Na sequência, em 21 de outubro, começa a WOMEX 2026. Faltam 16 dias para mais uma oportunidade de conexões, circulação, mercados, encontros e construção de novas pontes para a música.
E ainda teremos muito Brasil pela frente.
No dia 31 de outubro, acontece uma nova edição do Movido à Música, no Museu dos Povos Originários. Faltam 26 dias para um encontro que reafirma uma ideia central ao trabalho que desenvolvemos: música também é território, memória, identidade, circulação e diálogo.
No dia seguinte, 1º de novembro, celebraremos oficialmente o Dia do Profissional da Música.
E então começa outra contagem.
Da lei para a celebração coletiva. Do reconhecimento formal para a ocupação simbólica.
Em 25 de novembro, profissionais de diferentes áreas estarão juntos na CLDF para a primeira solenidade de celebração do Dia do Profissional da Música.
Um ecossistema inteiro reunido.
Ao mesmo tempo, avançam dois movimentos estruturantes: a estreia do novo site da Academia da Música Portuguesa – APM e as inscrições para uma nova edição do Prêmio Profissionais da Música – PPM.
Tudo isso enquanto observamos, com atenção, os rumos das políticas culturais brasileiras para os próximos anos.
Talvez seja por isso que aquela frase tenha me parecido tão apropriada.
“Gosto de intensidade como um mosquito vai em direção à luz.”
Porque há períodos em que tudo parece acontecer ao mesmo tempo.
Política.
Cultura.
Música.
Tecnologia.
Mercado.
Território.
Memória.
Futuro.
E talvez intensidade não seja simplesmente acumular acontecimentos. Talvez seja perceber que todos eles, de alguma maneira, estão conectados.
Outubro começa hoje. E nós estamos só começando.
Musicalmente,
Gustavo Vasconcellos