Brasília, 4 de março de 2024
Acordei da manhã de sábado [ 2|3]com a triste notícia da passagem para o andar de cima, de uma das figuras mais encantadoras, doce e musical que as voltas em torno do sol me presenteou ao longo desta minha passagem pelo planeta música….
Corta para 2003…
Após 1 ano de vida na GRV Discos, e com três lançamentos fonográficos, bem sucedidos até aquele momento, alguns excelentes artistas de nossa cidade, começaram a nos procurar, para minha total surpresa…
Ainda em 2003, comecei uma relação com um dos geniozinhos da guitarra desta capital das guitarras, que é Brasília. Misturando o legítimo blues com a performance roqueira, ao lado de Celso Salim, até aqui foram: 4 cds solos, 1 em parceria, um projeto especial chamado The High Head Hunters, e duas compilações do Guitarras do Cerrado. Além disso, me aproximou em certo momento do pianista paulistando Ari Borger e dos queridos brasiliense Rafael Cury e Dillo D`Araújo e junto à eles, novas e incríveis realizações musicais.
Certo dia, o jovem bluesman, foi atrás do seu caminho natural e migrou para LA e ainda levou Rafael Cury.
Corta para 2010…..
Ainda que questionásse a decisão que havia tomado, apoiei-o até a conquista do GreenCard. Achava que nossa colaboração mútua tivesse chegado ao final, porém, o inacreditável ainda estava por vir, qual seja, satisfazer o desejo de seu padrasto, o cubano Tirso Saenz, um exímio cantor em sua adolescência, ministro de Che Guevara, que ao lado da querida Maria Carlota [ mãe do Celso] faziam um par de nobres cientistas na capital do Brasil com muita elegância, simpatia e carinho..
O desafio era tipo impossível, qual seja, legalizar [ clearence] de 14 canções de autores cubanos da 1ª metade do século passado. Modéstia parte, mas até hoje, desconheço quem além da GRV, provê essa solução na região Centro Oeste, além de nós e obviamente por motivos óbvios aceitei a demanda, belissimamente, produzida pelo genial Jaime Ernest Dias.
Ao conseguir todas as autorizações para prensar o cd Recuerdos nas comemorações de seus 80 anos em 2011. Comentei sobre o assunto com meu vizinho e referência empreendedora, o grande Tiãozinho Rodrigues, eterno fundador do Squema 6 e ele, encantado que ficou, me solicitou um encontro para que o mestre do jornalismo Paulo Pestana o conhecesse.
Entre runs, petiscos, cervejas e sei lá mais o que, ouvi horas de uma história que sinceramente não sei o que fiz para merecer tanto.
O disco foi lançado em 27 de março de 2011, com direito à show e uma matéria com texto do Paulo “daquelas”…
No último dia 3 de dezembro, dia dessa foto, o casal foi me prestigiar mo show de encerramento da 7ª edição do Prêmio Profissionais da Música com a diva Alaíde Costa. Eram fãs, dela é claro…hahahaha
Mas, aos 92 anos, após 1 tarde de samba no Rio de Janeiro, durante uma palestra ou missão para seguir difundindo sua vida e contribuição ao lado de Che, passou mal e …..
Obrigado Ceslo, sem dúvida o parceiro que mais contribuiu para a GRV.
Obrigado Dona Carlota por me proporcionar tantas riquezas humanas e musicais.
Obrigado Tião por se encantar e trazer Paulo Pestana para eternizar.
Recuerdos está no ar em todas as lojas digitais. Agardecido, prometo não chorar.
Onde ouvir?
Resposta: Clique aqui!
Viva Tirso
Musicalmente,
Gustavo Vasconcellos
Viva Tirso Saenz
Veja também
Quando a música encontra a imagem: caminhos, escolhas e responsabilidades | #004.2026
Brasília, 10 de fevereiro de 2026 Escrevo este texto a partir de um lugar muito concreto: o da prática. Não da teoria abstrata, nem do discurso confortável. Falo desde o território de quem edita, licencia, negocia, traduz interesses e sustenta processos para que a música — especialmente a música feita fora dos centros hegemônicos — […]
Ler artigo
Em tempos de supremacia dos algoritmos, a colaboração artística é a alternativa para quem depende da música para existir?
Brasília, 3 de fevereiro de 2026 Onde ouvir a faixa Jahzz Revolta do artista Coletivo Superjazz no álbum Mixtape Fanfarra Pirata, lançado hoje pelo grupo BaianaSystem? Resposta: Clique aqui! Como ser artístico que me descobri em 1977, aos dez anos de idade, algo passou a fazer sentido desde então: a verdadeira riqueza nasce do conjunto, […]
Ler artigo
Em tempos de “venda de experiências”, como está o dia-a-dia da música ao vivo na sua cidade?
O que é viver uma experiência para você, sob o ângulo obtuso do consumo? Brasília, 27 de janeiro de 2026 Não estou falando de “ir a um lugar legal”. Nem de “postar uma noite bonita”. Nem daquelas listas prontas do tipo “10 coisas imperdíveis para fazer antes dos 40”. Estou falando de experiência como aquilo […]
Ler artigo