Segundo uma entrevista que li ou ouvi, recentemente: “um dos movimentos mais profundos que alguém pode fazer é romper padrões e deixar de aceitar relações. Quando uma pessoa decide ocupar a posição de sujeito — e não mais de objeto — ela inevitavelmente enfrenta resistência, às vezes até isolamento e desconforto no próprio círculo social.
Isso acontece porque a autonomia incomoda. A potência pessoal mexe com a ordem estabelecida.”
Brasília, 17 de novembro de 2025
Digo isso, porque há 2 meses, recebi uma provocação de um dos sócios da Hop Capital Beer para estruturar uma nova intenção daquela casa, qual seja, “ desenvolver em 1 sábado por mês uma iniciativa voltada para a exposição da música local, diferentemente, dos padrões que circulam por aquele simpático e atraente estabelecimento do bairro do SIA”. De início, havia apena o nome Hop Experience. Quem me conhece sabe que não curto essas denominações em inglês, ainda mais, se for para colocar em destaque a cultura nacional. E ainda que tivesse me retirado dos palcos em 2015 [ após 30 anos de dedicação] e da relação com contratantes da vida noturna de Brasília, em 16 de março de 2020, com a trágica e transformadora pandemia, aceitei o convite para quem sabe colaborar com alguma rota, caminho e ideia…
Tenho que confessar uma coisa ao aceitar o convite: me atrai muito mais a possibilidade de transformar um bairro, como vi acontecer no lado oriental de Berlim em 2006. O que aconteceu lá, contarei em outro texto, mas por aqui, quem me segue entenderá a partir do Carnaval do ano que vem…
Porém, havia um desafio que considero eterno na Brasília [ sem o apoio dos editais públicos] e que permeia, na maioria das vezes, o pensamento do empresariado local que até hoje confunde cultura do entretenimento X entretenimento com cultura, afinal, é clássico, muitos deles travarem processos criativos porque antecipam o julgamento alheio — “Será que vão gostar?”, “Será que isso agrada?”.
Mas essa, pelo menos para mim, nunca foi a 1ª pergunta à ser respondida, afinal, iniciativas culturais, ou na vida de forma geral, não nascem do desejo de agradar, e sim da coragem de ser honesto consigo mesmo. É a autenticidade que cria conexão.
O que é real toca; o que é fabricado passa despercebido.
Hoje, parte das grandes produções perde força justamente por isso: são obras construídas por fórmulas e previsões de mercado. Podem até ter técnica, gerarem resultados momentâneos, mas falham no essencial — não têm alma.
A virada de chave está aqui: quando deixamos de buscar aprovação e passamos a buscar verdade, nossas iniciativas mudam de dimensão. E, paradoxalmente, é exatamente aí que o público aparece. Não porque você pediu permissão, mas porque você conseguiu tocar alguém.
E assim, concluímos a 2ª edição do Hop Experience, onde a partir da presença e estilo do chef Léo Hamu [não sabia que havia sido o dono do Lagash], montei um passeio musical/gastronômico, unindo os sabores de Minas com um show em pleno dia da proclamação da república, batizado e executado ao pé da letra [ vide vídeos] assim: “ da viola aos tambores do Brasil” com os “diamantes da casa”: Claudivan Santiago, Gustavo Damas e os excelentes músicos: Edinho Silva, Macarra e Bahia.
Em volta deles, incorporamos outros temperos [ QSuculentos da guerreira Ana Paula], os aromas do [Acarajé da Edinha e da cachaça Capueira] do batalhador e excelente vendedor Bruno.
Será uma nova feira dos independentes?
Para abrir mais sentidos: os chopps da Hop e sua equipe pra lá de atenciosa e que representam a cara de um dos seus sócios, o eterno Comodoro Jorge Gutierrez com sua capacidade de atrair, envolver e receber..Digo “um dos seus sócios, pois não conheço os demais”
Qual a minha lógica para esta missão e de certa forma, de todas que nascerão na GRV nos últimos 25 anos, 7 meses e 16 dias?
Resposta: O barulho que importa é o interno. O externo é consequência.
Simples não?
Que venham novas edições. Espero ser lembrado.
Parabéns pela coragem Jorge da Hop 1000 e obrigado pela confiança..
Ia me esquecendo: o público adorou.
E tenho certeza que deseja mais..
Musicalmente,
Gustavo Vasconcellos



