O QUE É?
Música esquisita, música torta, música que dá dor de cabeça. Todas são qualificações que a banda brasiliense João Ninguém - Rochael Alcântara, Melina Sales (vozes), Fernando Costa (guitarra), André Gurgel (baixo), Iara Gomes (teclado) e João Marcelo (bateria) - assumem voluntariamente. A desorientação dos que se esforçam por definir o gênero a que o grupo pertence não perturba os músicos, que se orgulham em transitar incólume pelos territórios do rock, do atonalismo, do funk, do samba, do experimentalismo erudito do século XX, do jazz fusion, sem nunca fincar bandeira em lugar algum.
Trata-se de um trabalho que remete à vanguarda paulistana oitentista de Arrigo Barnabé e do Grupo Rumo, que segue os traçados estruturais do rock progressivo, que pisa no chão firme dos grooves da black music, que salpica, como tempero, ritmos folclóricos e timbres eletroacústicos. Ao mesmo tempo, é música de todo dia, música de gente, música do trivial. O cotidiano urbano é a matéria-prima; o João Ninguém, a personagem.
O grupo começou a chamar a atenção em julho de 2003, durante o Festival Musicalango - Música, Diversão e Arte, realizado no extinto Show Bar.
Com isso, a presença do João Ninguém passou a ser cada vez mais sentida, à medida que se expandia para alguns dos mais importantes palcos da cidade: do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB) ao UK Brasil Pub; do SESC (504 Sul) ao Festival Porão do Rock; dos célebres saraus de Cristina Roberto à abertura da Mostra Novas Tendências, na Sala Plínio Marcos da Funarte, até lançar pelo selo brasiliense GRV Discos, seu primeiro cd com título homônimo apresentado na Feira da Música Independente Internacional de Brasília.
Como diria a antiga canção de Rita Lee: "João Ninguém é um homem de bem, poderoso para chuchu"...